terça-feira, 23 de julho de 2013

O recomeço: Cap 05

Narradora Observadora:
Lua continuou ali, encolhida no chão da sala aos prantos, aquela “conversa” havia aberto a ferida que Lua tanto demorou a fechar. Toques apressados na campainha a fez levantar, abriu a porta se deparou com Chay segurando varias caixas aparentemente pesadas.
Chay: Lu? Você tava chorando? – Ele disse após adentrar ao apartamento e colocar as caixas no chão. –
Lua: É, acho que sim.
Chay: O que houve loirinha? Não me diga que ele teve uma recaída?
Lua: Não, eu não permitiria. Mas, é que ele tentou conversar, voltar lá no passado sabe? E, aah Chay eu demorei tanto pra tapar a ferida e ele conseguiu abrir apenas com uma frase.
Chay: Ain Lu, eu realmente nem sei o que dizer, vem cá vem. – Ele a puxou e os dois engataram em um abraço apertado. – Vamos fazer assim, a gente pega suas malas leva lá pra casa, você toma um banho e descansa.
Lua: Eu tenho que ajudar a montar a festa.
Chay: Não se preocupa com isso, a gente se vira. A Dona Lúcia vai amar te rever.
Lua: Ain, que saudades da sua mãe e do bolo de chocolate dela.
 Chay: Pois olha que sorte, ela fez um hoje mesmo.
Lua: Vamos, minha mala ta no meu quarto. – Ele riu da maneira que ela mudou de ideia tão rápido. Entrou em seu quarto e pegou as malas da loira. –
Chay: Tem chumbo aqui dentro?
Lua: Qual é? Você ta precisando malhar ein... – Ele revirou os olhos e eles foram rumo ao 12º andar. –
Chay: MÃEE. – Chay gritou assim que abriu a porta, Lucia logo apareceu na sala e quase caí pra trás. –
Lucia: Jesus, Lua? É você mesmo?
Lua: É sim. – Lua disse rindo, já era bem a décima vez que ouvia isso num dia. –
Lucia: Meu Deus, menina você está muito linda.
Lua: A senhora também está linda com essas mexas.
Lucia: É, a separação ta me fazendo um bem danado. Agora venha cá e me dê um abraço. – Lua se aproximou e abraçou. –
Lua: Tia eu vim filar o seu bolo de chocolate, espero que não se importe. – Ela disse brincalhona e Chay rio. –
Lucia: Claro que não, sente aqui eu vou buscar. – Ela disse se referindo a cadeira da mesa de jantar, adentrou na cozinha e voltou trazendo o tão delicioso bolo de chocolate. –
Chay: Bom, fiquem aí papeando que eu tenho uma festa pra organizar.
Lua: Obrigado viu?
Chay: Que nada, mãe depois a Lua vai tomar um banho e tirar um cochilo no meu quarto ok?
Lucia: Claro, você deve ta cansada né?
Lua; É, digamos que eu mal cheguei e tive um dia puxado. – Chay se despediu novamente e saiu, Lua comeu, conversou bastante e depois foi tomar banho, colocou uma roupa simples e caiu no sono. –
Enquanto Lua dormia Chay ainda tentava enrolar as meninas:
Chay: Gente eu já disse, ela ta bem.
Mel: Porque será que eu não acredito em você?
Chay: Porque você é maluca?
Laura: Tem alguma coisa errada.
Sophia: É Chay, o que o Arthur fez?
Arthur: Eu não fiz nada. – Ele disse assim que chegou ao apartamento de Lua, afim de ajudar. –
Chay: Vocês estão perdendo tempo, eu cheguei aqui e ela não estava muito bem, com mal estar então eu ofereci minha casa pra ela descansar. Só isso.
Arthur: Tem certeza que ela ta bem?
Mel: Desde quando você se importa? – Ela o encarou furiosa. –
Laura: Mel...
Mel: Não, eu quero saber. Desde quando você se importa com alguém que não seja você mesmo? Responde?
Arthur: Eu não vou brigar com você.
Mel: É, se o sangue esquentar muito a gente sabe o que acontece né covarde?
Arthur: Deu né?
Mel: Deu mesmo, vaza daqui. Ninguém pediu sua ajuda.
Arthur: Ajuda não se pede, se dá.
Mel: Nossa que lindo, leu isso aonde?
Mica: Gente, chega!
Sophia: Pois é, a gente tem uma festa pra organizar, mais que merda.
Chay: Eu acho melhor você ir Arthur, evitar maiores problemas é um dever de todos.
Arthur: Ta, eu vou. – Ele caminhou até a porta e Chay foi junto, saiu até o hall com ele e fechou a porta pra que ninguém ouvisse o que seria dito. –
Chay: Porra Arthur, cara a Lua mal chegou e você já ta fazendo ela querer ir embora de novo.
Arthur: Desculpa, mais que merda. Eu só quero resolver as coisas, só quero que tudo fique bem.
Chay: Não é querendo ser chato, mas desde quando você se preocupa se as coisas estão bem ou não?
Arthur: Eu não sei, a volta da Lua mexeu comigo. Vê ela desse jeito me deixou tão mal.
Chay: Vê ela de que jeito Arthur? Vê ela bem? Magra, gostosa pra caralho?
Arthur: É, eu me senti culpado pela ida dela entende? Eu me senti culpado porque eu vi que ela só consegue ficar bem se afastando de mim. Eu to me sentindo a pior pessoa do mundo.
Chay: Você ta errado em uma coisa, você não é a pior pessoa do mundo, mas ta certo em pensar que ela fica bem longe de você. Cara, você sabe que a Lua foi meu primeiro amor e sabe também o quanto foi difícil ter ela longe de mim então por favor, por mim, não estraga tudo.
Arthur: Desculpa, eu vou tentar. Você ainda sente alguma coisa por ela?
Chay: Não, não como antes é diferente agora. Mas ela é muito importante pra mim.
Arthur: Ta, ok. Eu vou tentar resolver as coisas de outro jeito.
Chay: Obrigado. – Chay deu um sorrisinho e apertou a mão de Arthur, eles eram bem amigos, quando todos viraram as costas pra Arthur, Chay foi o único que ficou do seu lado mesmo que Arthur estivesse errado, Chay sempre esteve com ele, quando ele perdeu o pai, quando a mãe dele quase perdeu o apartamento por falta de renda, quando ele surtou, quando tudo desabou em cima da cabeça de Arthur, Chay esteve lá pra ajudar ele a segurar as pontas. -

Arthur foi embora contrariado, confuso, intrigado. Se perguntando como resolver o seu erro do passado, as vezes ele queria ser mais forte, talvez assim tivesse conseguido levar a morte do pai de uma forma menos violenta. Mel era muito pequena quando o pai morreu, quase não se lembra da catástrofe que esse incidente trouxe a sua família, mas sempre tenta arrancar algo de sua mãe que sempre desconversa. Arthur sabe de tudo, tudo e um pouco mais relacionado a morte de seu pai e foi isso que o perturbou, ele sabia de coisas que sua mãe nunca o contaria e muito mesmo contaria a Mel e antes na cabeça de Arthur usar a violência era o certo a se fazer, era como se ele fizesse justiça a seu pai. Hoje ele percebe que aonde quer que seu pai esteja ele não está nenhum pouco orgulhoso.
Meg: O que aconteceu? – Ela falou assim que ele entrou pela porta. –
Arthur: Nada, ué.
Meg: Eu sei que você não ta bem.
Arthur: Claro que tô. – Ele disse forçando um sorriso. -
Meg: Então é melhor treinar os olhos.
Arthur: Como assim?
Meg: Você se empenhou em sorrir e esqueceu de ensinar seus olhos a mentirem.
Arthur: Se eu disser que não quero falar sobre isso a senhora me libera?
Meg: Nossa, que horror. Você fala como se estivesse preso em uma blitz.
Arthur: Mais ou menos.
Meg: Ok, sem mais perguntas.
Arthur: Obrigada. – Ele sorriu fraco e foi pro seu quarto. Enquanto isso Lua ainda dormia profundamente sobre a cama de Chay. E os outros cinco se encarregavam de produzir a tal festa. -

6 comentários: