segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O recomeço: cap 18

Narradora Observadora:
Estavam parados em uma fila quilométrica, em um drive de uma lanchonete.
Arthur: E quanto ao papo de me ajudar? – Ele disse a fitando serio. –
Lua: Acho que eu me enganei, não posso te ajudar. – Ela disse ainda olhando pela janela. –
Arthur: Fala isso olhando pra mim. – Ela respirou fundo e virou pra ele, eles ficaram olhando um no olho do outro por alguns estantes. –
Lua: Eu não posso te ajudar. – Ela disse com um ar de duvida bem notável. –
Arthur: Você me parecia bem interessada em me ajudar. – Ele disse chegando mais perto. –
Lua: Não faz isso, porra. – Ela disse se afastando bruscamente. –
Arthur: Fazer o que? Não fiz nada.
Lua: Para de jogar charme pra cima de mim.
Arthur: Charme? Cê ta louca? – Ele disse rindo. –
Lua: Não, eu não to louca. Você fica jogando charminho, falando mansinho, se aproximando e me olhando com esses olhos... Apenas pare de fazer isso.
Arthur: Porque eu devo parar? – Ele falou manso. –
Lua: Arthur... Isso, não pode acontecer entendeu?
Arthur: Isso? Isso o que?
Lua: Isso, nós dois... Não sei o nome disso, mas você me entendeu.
Arthur: É, eu entendi.
Lua: Pois é, isso não pode acontecer e eu sei que já disse isso outras vezes, mas agora é serio. Isso não pode acontecer.
Arthur: Tarde demais.
Lua: Como assim?
Arthur: Já aconteceu Lua, não tem como voltar atrás e pra ser sincero, mesmo que desse eu não voltaria.
Lua: Para de falar isso.
Arthur: É a verdade. Se você voltaria no tempo, ok. Mas eu não voltaria.
Lua: Eu não voltaria. – Eles ficaram em silencio por uns estantes até a fila andar um pouco e ele ter que prestar atenção no “transito”. –
Arthur: Olha, eu entendo... Eu realmente entendo os seus motivos.
Lua: Não, não é o que você ta pensando. Eu não vou mentir que influencia, mas é só que... Você é errado pra mim e eu sou errada pra você, nós dois... É muito errado.
Arthur: Eu sei, não é só pra você que eu sou errado. – Lua ficou calada, se sentia mal, porque na verdade ela sabia que ele não era errado, ela era, ela tinha um medo absurdo, ela não sabia lidar com mudanças ou coisas desconhecidas, sentimentos desconhecidos, o problema em si era ela não ele. Ficaram em silencio por mais algum tempo até ela virar bruscamente em direção a Arthur, que se assustou com a agitação da mesma e acabou virando em sua direção, quando menos percebeu Lua estava o beijando, foi como um impulso, o beijo era calmo como nunca fora, eles não tinha pressa nem medo, apenas buscavam sentir um ao outro, continuaram assim até a fila voltar a andar e os obrigarem a se separarem. Lua voltou a olhar pela janela e enquanto fazia o pedido Arthur só tentava entender o que se passava na cabeça dela. Já haviam saído do restaurante e estavam voltando pra casa até avistarem uma blitz de longe. Arthur rapidamente entrou em uma rua sem saída fazendo Lua se assustar, já que a mesma se encontrava fora da terra. –
Lua: O que foi isso?
Arthur: Uma blitz.
Lua: Mentira, e agora?
Arthur: A gente vai ter que esperar.
Lua: Você bebeu tão pouco, será que pega?
Arthur: Pega, eu bebi duas doses de vodka.
Lua: Puta merda.
Arthur: A gente vai ter que esperar eles irem embora.
Lua: Pede um taxi e deixa o carro aqui.
Arthur: Cê ta louca? Nunca que vou deixar meu carro nesse fim de mundo. – Realmente a rua em que eles pararam era bem estranha. –
Lua: Eu vou avisar pro pessoal que tem blitz por aqui. – Ela saiu do carro e ligou pra Laura e avisou sobre a tal blitz. –
Arthur: Eu acho melhor eu pedir um taxi pra você.
Lua: O que? Claro que não, você vai ficar aqui sozinho?
Arthur: E o que é que tem?
Lua: Muita coisa.
Arthur: muita coisa tem você ficar aqui, é perigoso.
Lua: Mais perigoso vai ser se você ficar aqui sozinho, eu não vou embora ok?
Arthur: Teimosa.
Lua: Sou teimosa mesmo. – Ela disse emburrada e o mesmo soltou uma risadinha baixa. O tempo ia passando e de meia em meia hora eles iam até a esquina vê se a blitz ainda estava por lá. Comeram, jogaram pedra, papel e tesoura, guerra de dedão, adedonha sem papel, fizeram de tudo para passar o tempo, menos conversarem sobre o beijo. –
Lua: Vai, pode perguntar. – Ela disse quando os dois ficaram longos estantes em silencio e sem nada pra fazer. –
Arthur: Quem disse que eu quero perguntar alguma coisa? – Ele se fez de desentendido. –
Lua: A sua cara.
Arthur: Ta, eu não quero perguntar nada, mas eu quero ajuda pra entender, quer dizer te entender. – Ele disse serio e ela riu. –
Lua: Não é difícil me entender.
Arthur: Não? Primeiro você diz que pode me “ajudar” depois você diz que não pode rolar nada entre a gente ai depois você me beija. Se isso não é difícil de entender eu não sei o que é.
Lua: Ta, realmente é meio complicado sim.
Arthur: Me explica então.
Lua: Explicar o que?
Arthur: O que passa na sua cabeça ué.
Lua: Aah Arthur, é complicado. Eu sou o tipo de pessoa que não se prende a ninguém, eu gosto de ser livre, gosto de ficar, ficar e só. Só que é diferente quando a gente ta junto, eu não sei o que rola, mais sei que não pode acontecer, nós dois somos como água e fogo, não da liga sabe?
Arthur: Eu não vou dizer que te entendo, porque eu não entendo. Mas respeito tudo isso, em uma coisa você ta certa. Nunca daria certo. A gente iria arrumar muitos problemas.
Lua: interiores? Com toda certeza.
Arthur: Não Lua, problemas exteriores. Tem muita gente envolvida nisso, muita gente sairia machucada.
Lua: Agora quem não ta fazendo sentido é você. Eu sei que a Mel é problemática em relação a isso, mas eu acho que...
Arthur: Não é só a Mel que vai discordar disso. – Ele disse interrompendo-a. –
Lua: Ah é, e quem mais ficaria machucado com tudo isso?

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